domingo, 21 de setembro de 2008


A cidade e os loucos


A cidade vai tentar

te consumir aos poucos.

Os sobreviventes felizes

são chamados de loucos.


Prefiro ser chamada de louca

eles podem me julgar.

Vou sorrir enquanto

a correria tenta me sugar.


Na minha roupa
a cor não míngua.
Todo o colorido serve

para superar o cinza.


Pois na selva de concreto

tudo é neutro e morto.

E as linhas não tem curva,

nada é meio torto.


Poucas árvores e flores,

nada de rosa ou de verde.

Poucas estrelas e amores
disso todos morrem de sede.


Por isso que eu escrevo,

pulo, danço, canto.

Pode ser durante o enterro,

todo lugar tem seu encanto.


Eu caio na gargalhada
enquanto eles dão chilique.

Os tolos gastam milhões

para ficarem chiques.

E não tenho medo,

sempre falo alto.

No meio daquele debate

ou no meio do asfalto.


Ouço a batida de longe e
meus pés começam a acompanhar.
O segredo é se divertir

mesmo que não saiba dançar.


As coisas boas e simples,

muitos não conseguem ver...

Na verdade louco é quem
respira mas esquece de viver.

Tatá R. da S.

2 comentários:

Luciana Brito disse...

Opa... agradeço a consideração pela minha caixa preta ^^

Eu estou adorando o teu blog, suas poesias são muito boas...

Mundo louco, máquina rápida que insiste em devorar as pessoas, torná-las mecânicas e superficiais.

Adorei.
Beijo.

Cris de Souza disse...

belo ritmo, muito bacana !